Por dias
Meses
E anos.
Vai afundar as memórias de abandono
No sepulcro mais profundo do seu coração
Enquanto afaga e esvazia de significado
Cada palavra com o peso demasiado
De cortes afiados que tão fácil destroçaram
O espírito que outrora deslumbrava o mundo
E agora vive assombrado.
Você vai sucumbir ao desespero que te leva à ânsia
De proteger
A todo custo
Aquela criança.
Mas logo nota que a ferida não melhora
Você não sabe como parar o sangue que jorra
E inunda a sua alma com uma cor tão sem vida
O presente é o caminho de uma função de estado
Constante e definida pela dor do seu passado
Levada ao limite do medo de não ter um futuro
Que possa ser emprestado.
Todas as coincidências são cúmplices do destino
E nenhuma sorte se tece
E nenhuma sorte se tece
Em direção ao teu caminho.
E numa virada qualquer de esquina
A tua mente corrói e te arruína
Te laça e crava com arame farpado
Como o empuxo forte de uma maré
As correntes que te fazem prisioneiro
Te arrastam outra vez ao cativeiro
Onde você primeiro perdeu a fé.
Não importa quanto tempo você tenha conquistado
E concretado
Entre o hoje e o fato
Quando tantas partes suas são roubadas
E derramadas no chão duro de um mesmo lugar
Tua alma vira uma peneira, desgastada
Um lençol sujo, um coração cheio de buracos
Como não cair em si mesma, nesses espaços?
Como não ser arrastada de volta ao carrasco,
Reivindicando cada pedaço que ficou perdido lá?
E derramadas no chão duro de um mesmo lugar
Tua alma vira uma peneira, desgastada
Um lençol sujo, um coração cheio de buracos
Como não cair em si mesma, nesses espaços?
Como não ser arrastada de volta ao carrasco,
Reivindicando cada pedaço que ficou perdido lá?
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