E se, em um dado instante, meu olhar pairar sobre o horizonte
E a melancolia pesar sobre meu semblante
Saberás que já estou distante
Caminhando por entre memórias amaldiçoadas
Estas que tu acreditas estarem fadadas ao oblívio da minha mente
Torturam-me incansavelmente, trazendo-me a amarga certeza
Que em todas as vezes que tentei, eu falhei
E que eu jamais poderei me livrar de todas as mágoas que guardei
Não enquanto eu ainda mantenho vivos
Todos os monstros em que eu me tornei.
Fizestes de meu peito solo infértil onde apenas sementes podres desabrocham
Monótona como uma orquídea sem vida, raízes mortas me goram
O cerco se fecha, a batalha começa, meus demônios se afloram
E sob este olhar morno que confundes com ternura
Adormece em fogo vivo a minha mais antiga fúria
Nunca pude me livrar do dissabor que me foi dado
Carrego esta dor sozinha para te eximir do fardo
Sustento tua candura mas me desfaço em compunção
Negligente com a inocência, vivo assombrada desde estão
Tu pensas que eu me curei mas estás errado
Todas as minhas feridas foram remendadas
com arame farpado.
