quarta-feira, 22 de novembro de 2023

Linha, agulha, trapo e sangue

Teus segredos enterrados 

Nos poros dilatados 

Da minha pele. 


Meus nervos pinçados 

Como fios entrelaçados 

De uma marionete. 


Tuas ofensas indelicadas 

Friamente disparadas 

À queima roupa. 


Réplicas nunca ditas 

Cuidadosamente retidas 

Afogadas no céu da minha boca. 


Meu corpo infértil 

Túmulo de pecados perversos 

Lar do monstro mais vil. 


Minha mão estendida 

Sempre cúmplice e amiga 

Só enquanto bem lhe serviu. 


Agora seca em teu deserto 

Já não me queres mais por perto 

Sequer é capaz de olhar para mim. 


Eu me tornei você 

E você não aguentou ver 

O quanto era ruim


O aroma putrefato da tua alma 

Impregnado em meus pulmões 

Lentamente eu adoeci. 


Linha, agulha, trapo e sangue 

Você remendou em mim 

Todo podre que havia em ti.