Teus segredos enterrados
Nos poros dilatados
Da minha pele.
Meus nervos pinçados
Como fios entrelaçados
De uma marionete.
Tuas ofensas indelicadas
Friamente disparadas
À queima roupa.
Réplicas nunca ditas
Cuidadosamente retidas
Afogadas no céu da minha boca.
Meu corpo infértil
Túmulo de pecados perversos
Lar do monstro mais vil.
Minha mão estendida
Sempre cúmplice e amiga
Só enquanto bem lhe serviu.
Agora seca em teu deserto
Já não me queres mais por perto
Sequer é capaz de olhar para mim.
Eu me tornei você
E você não aguentou ver
O quanto era ruim
O aroma putrefato da tua alma
Impregnado em meus pulmões
Lentamente eu adoeci.
Linha, agulha, trapo e sangue
Você remendou em mim
Todo podre que havia em ti.