quinta-feira, 6 de outubro de 2022

Quase apogeu


É tão fácil confundir olhares nunca trocados
Ou interpretar gestos que nunca foram dados
Quando passo a noite inventado memórias
Escrevendo todas as histórias
Que não vivemos.

Eu preciso de tão pouco para querer-te tanto

Me deixei levar pelo encanto
De imaginar-me tua
Deveria ser pecado
Um coração já domado
Fantasiar com paixões proibidas
Mas fosse você um jogo
Eu arriscaria uma partida
E até trapacearia
Para te ganhar. 

Estou cansada de esperar teu xeque-mate

Sempre estive pronta para o teu abate
Mas nosso flerte se perdeu num impasse
Minha esperança se esvai a medida
Que encaro tua face comedida
E que sou atravessada por teu olhar 
Que só me arremessa indiferença
Tua inércia é uma ofensa
À minha vontade. 

E que vontade!

Sou incapaz de encarar a verdade 
Eu construí uma avenida
De mão única e sem saída
Por onde corro em círculos
Pisoteando meu coração 
Tropeçando em todas as nuvens
Que desenhei no chão.

Já não me alimento daquela ilusão de antes

Não quando caminhas distante
E escolhe vagar em outro quarteirão
Passa por todos os sinais verdes
Fingindo despretensiosamente que não os vê
Sempre saindo na contramão 
De todos os caminhos que trilhei
Pensando em você.
 
O ar desaprende a enselvar meus pulmões no nosso quase apogeu

Teus braços são templos que nunca serão meus
Meus lábios lamentam pois nunca dançarão com os teus
Eu me pergunto se em algum momento
Tivera consciência deste tormento...


... Foi com o mesmo pesar que eu?