Há uma saudade antiga dentro de mim
Um desejo forte de sentir a brisa
Vinda do coro de canções perdidas
De árvores ainda mais antigas.
Enquanto caminho por trilhas esquecidas
Com os pés pisando em falso
Seguindo o tapete de folhas caídas
Em passos lentos e descalços.
Tom que jamais vi em minha vida
Meus olhos deslumbram um verde mágico,
Soprado de memórias nunca vividas
Afoga meu pulmão num ar escasso.
Soprado de memórias nunca vividas
Afoga meu pulmão num ar escasso.
E quando a noite se derrama por cima
De cada montanha no horizonte
Eu vejo o lume de uma estrela cristalina
Que só daqui não parece tão distante.
De cada montanha no horizonte
Eu vejo o lume de uma estrela cristalina
Que só daqui não parece tão distante.
Mas, junto às margens de um lago frio,
Mergulho em meu íntimo vazio
E embora gentis sejam as águas
Sempre me vejo sendo arremessada
À mercê de imensas ondas amarelas
Vindas do folhear fugaz de um livro
Extirpada do meu mundo cripto
E de volta à realidade que me gela
Sou eu quem retorna à estante
O antagonista sempre vence
Enquanto eu cambaleio como figurante
Na única vida que me pertence.
Perdida na minha própria narrativa
Como um rascunho numa página rasgada
Vivendo todos os finais e as perspectivas
De uma história que jamais será contada.
Aqui, ninguém me chama ou me espera
Nada é meu ou quer que eu fique
Deito à sombra desta terra
Deito à sombra desta terra
Onde o meu sonho não persiste.
Minha voz se ergue e berra
Meu coração se parte triste
Inundado de saudades
De um lugar que não existe.
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