domingo, 21 de abril de 2024

Beco das Desovas Mortas

Eu sou aquela nuvem incoveniente 
Embalando os poucos vãos de claridade
Que atravessam as sombras das àrvores

Eu sou feita de carne de gente
E alma de bicho condenado à insanidade
Abandonada no beco das desovas mortas

Eu sou a chuva que ninguém aprova
Que não dá vida, nem refresca, só afoga
Uma piscina ornamentada numa cova

Eu sou aquela tristeza repentina
Que se adere ao peito como tinta 
Manchandos as tapeçarias novas

Eu sou o deserto seco que resiste
Aos ruídos insistentes do vento
Num céu de verão sem estrelas

Eu sou uma paisagem triste 
Que ninguém olha por muito tempo...
Só o suficiente para esquecê-la.

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