O tempo passa diferente desde aquele dia em agosto
Todas as memórias de nós dois, eu cultivo só
Você preferiu nos aluir, sem me avisar, ao meu contragosto
Abandonou-me com as lembranças fantasmagóricas do que tínhamos de melhor
Não há canto em meu corpo que você não tenha tocado
Não há sabores em minha pele que você não tenha provado
Todos os meus poros dilatavam-se diante dos seus
Tola sina feminina - um dia acreditei que foste meu
Você soprou a ferrugem em meu peito apenas para deixar corroer novamente
Clareou meus céus para que eu pudesse ver a escuridão chegando outra vez
Eu esperei ouvir de você aquilo que meu coração gritava repetidamente
Mas você se calou - e eu me contentei com a agridoce esperança de um eterno talvez
Todos os olhares distantes, ininteligível semblante e as palavras não ditas
Torturava-me incansavelmente com jogos mentais, conversas banais e mentiras malditas
Eu fazia de tudo para interpretar da melhor maneira - pura asneira! Eu era incapaz de ver
Mesmo ao seu lado, eu sempre estive a dez mil passos distante de você
Vagando em ilusões, confiando em alusões, eu estava perdida em sua rede
Permaneci fiel ao meu carrasco, negando o fracasso - eu era apenas um quadro velho em sua parede
Esperava sedenta e ansiosa por nossos encontros clandestinos no centro da cidade
E para quem está sozinho, consolando-se em goles de vinho, qualquer migalha de carinho se parece com amor de verdade
Senti o peso da rejeição, amargo desamor, inexplicável dor, ego ferido
Na época, eu daria qualquer coisa para ser seu par, seu lar, seu caso preferido
Sei que eu não deveria ter insistido - mas, se você não queria ficar, meu tempo deveria ter poupado
Criatura vil de princípios desonrados; hoje, eu te agradeço por nunca ter me amado