Eu sou aquela nuvem incoveniente
Embalando os poucos vãos de claridade
Que atravessam as sombras das àrvores
Eu sou feita de carne de gente
E alma de bicho condenado à insanidade
Abandonada no beco das desovas mortas
Eu sou a chuva que ninguém aprova
Que não dá vida, nem refresca, só afoga
Uma piscina ornamentada numa cova
Eu sou aquela tristeza repentina
Que se adere ao peito como tinta
Manchandos as tapeçarias novas
Eu sou o deserto seco que resiste
Aos ruídos insistentes do vento
Num céu de verão sem estrelas
Eu sou uma paisagem triste
Que ninguém olha por muito tempo...
Só o suficiente para esquecê-la.