sábado, 26 de novembro de 2022

Desperdício Literário

Tantas foram as vezes em que meu rosto fora acalorado por uma vela 
Com uma chama singela que afugentava a escuridão
Apenas para que eu pudesse enxergar meu punho suplicando por destreza
Para registrar toda a tristeza que escorre por minhas mãos

Nas noites menos clássicas em que meus dedos perseguiam pixels
Meus olhos se cansavam pela luz fraca de uma tela pequena
Confidenciando minha intimidade a placas de silício
Incapazes de processar as angústias que codificam meu sistema 

Me assusta o tempo em mim gasto com o teu nome
Nada me devolve as sinapses que queimei só para te escrever
Por dias perenes em que minha alma rugiu de fome
Eu só me alimentava dos versos que eu vomitava por você

Mas eu teria engasgado com um bolor em minha garganta
Se eu me atrevesse a enterrar essas palavras sobre minha pele
E ainda que eu assine mil poemas com o meu nome - Bianca 
Serei sempre uma anônima cuja fúria não te fere

Eu gostaria de devolver as palavras que roubei do dicionário
Todas essas pobres rimas foram despendidas em vão 
Hipérboles comedidas e metáforas literais, um desperdício literário!
Dedicado a um iletrado incapaz de ler com o coração

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