segunda-feira, 27 de junho de 2022

Facho

Quando tu me olhas nos olhos...
Eu me sinto absolvido de crimes que nem cometi
Perdoado de pecados dos quais já me benzi
Eu me arrependo de vidas que eu sequer vivi
Eu assumo a culpa de qualquer tramóia
Peço desculpas por qualquer história
Tamanha graça que há em ti

É quando tu me olhas nos olhos
Que eu não temo o desconhecido que está por vir
Eu retomo os planos, desenterro os sonhos 
Nada me é enfadonho, nem me faz desistir
Eu me banho na esperança que transborda de ti

Ah! Basta me olhar nos olhos assim...
Eu perco o controle, não respondo por mim
Eu me rendo aos teus pés, ruborizo como carmim
Assino quaisquer papéis, entro em frenesi
Me dobro e entorto perante a ti

Se tu me pedes com esses olhos....
Para qualquer coisa eu digo sim!
Eu gero desordem, eu lidero um motim
Eu deserdo os nobres, eu roubo dos pobres
Eu crio um estopim
Porque todos os meios se justificam 
Quando tu és o fim 

É dentro dos teus olhos onde eu melhor me encaixo
As tuas pupilas enquadram o meu mais belo retrato
Mergulho confiante na imensidão do teu olhar
Teus olhos são o meu facho
E luz maior eu não acho
Em nenhum outro lugar

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