Das traças que devoram o tempo
Escorrendo pelas minhas mãos
As horas se vão com o vento
Mais uma semana passa por mim
Outro mês chega ao fim
E eu não consigo recordar
O que vivi neste ínterim
Minha visão arde de repente
Flashes de luzes incandescentes
O céu incendeia outro ano
Liquefaz a vida na minha frente
É como se eu não estivesse presente
Ou não pertencesse a este plano
A noite verte tão depressa
O dia se despede com tanta pressa
Há algo que não estão me contando?
Estou em um trem sem paradas
Com todas as janelas fechadas
À frente a estrada se desfaz
Os trilhos desaparecem por trás
E eu carrego esta constante sensação
De que a vida passa mais rápido
Do que sou capaz de apreciá-la
Meus sentidos falham em captá-la
Eu não vejo, eu não ouço
Eu não sinto, eu não movo
E se o tempo rasga o espaço
As traças devoram-no de novo
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