Empoeirado com sonhos impuros
Eu me contorço em arrependimento
E torço para que este tormento
Não dure mais que o necessário
Nem anuncie outro corolário
Oriundo dessas ideias minhas
Que surgem quando estou sozinha
Explodem no meu córtex
Gotejam ao longo da espinha
Até se perderem em um vórtice
Que as dissipa por todo meu corpo
E antecipa meus piores movimentos
Apenas pela urgência de provar a mim mesma
Que apesar de toda esta dor que me caleja
E da inércia que me consome
Ainda tenho carne de homem
E sangue vivo correndo pelos ralos podres do meu corpo
Desafio meu coração a continuar batendo
Embora seja tão pouco
Meu ímpeto de preservar suas sobras
Qualquer seja o destino, eu sigo
Tendo minha mente como açoite
E chego ao ápice deste doloroso castigo
Toda maldita noite.

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