quarta-feira, 31 de março de 2021

Remorso - Parte 2: Abraço áspero

Você estava distante
Eu notei no seu semblante
A melancolia se instaurar 
Pudesse eu te ajudar
Entrar em sua mente e para sempre te livrar
Deste peso na consciência que não deverias carregar

Afogada em uma fúria incessante, dor que não melhora
Não deixe aquela lástima amaldiçoar suas memórias
Você não é definida pelas dores que acumulou
Esses monstros que te aprisionam... foi você quem criou

Não posso regar seu jardim se você o mantém cercado
Mais duro que marfim, seu peito está sempre trancado
Este fantasma que lhe assombra não me causa medo algum
Mas não posso lutar contra seus demônios quando você me considera um

No seu olhar, longínquo e vazio,
existe uma chama que arde e ilumina o vale mais sombrio
Temo que esta seja a única luz que lhe restou 
Daquele seu jeito doce e terno, nada mais sobrou

Eu teria segurado sua mão, mas você viu sangue nas minhas
Aquele dia, à meia noite, quando você me implorou para te deixar sozinha
Foi quando eu soube que havia te perdido
Eu nunca possui delicadeza  suficiente para remendar um coração partido

Acho que te sufoquei enquanto tentava te soprar vida
E eu nunca vou me perdoar por não ser quem você precisa
Me destrói pensar que não posso fazer de você minha protegida
E dói lembrar que meu abraço é áspero e te causa novas velhas feridas. 




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